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domingo, 29 de outubro de 2017

RESENHA | EU, ROBÔ



Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Gênero: Ficção Científica; Sci-Fi.
Ano da edição: 2014
Páginas: 320





" 'Eu, robô' reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres 'Três Leis da Robótica' - os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência." (Skoob) "(...) um dos grandes clássicos da ficção científica, e talvez seu livro mais influente, Issac Asimov define as normas do comportamento robótico e narra o desenvolvimento das máquinas em nove histórias interligadas: desde os primeiros autômatos, incapazes de falar, até os robôs superinteligentes, aptos a tomar decisões que podem afetar todos os seres humanos." (Contracapa) 




Eu, Robô foi minha segunda leitura no clube do livro, meu primeiro contato com o autor e com o gênero ficção científica (Sci-Fi). Mencionei na resenha do Caixa de Pássaros que eu e mais quatro amigas tínhamos montado um clube de leitura onde todo mês leriamos um livro e depois nos reuniríamos para falar sobre nossas impressões, como foi a experiência da leitura, enfim. Pois bem, este foi o segundo livro sorteado e as impressões foram bem divididas.

Esse clássico Sci-Fi é divido em 9 contos com histórias interligadas que abordam os robôs. Asimov nos apresenta a vários tipos de robôs, como as primeiras criações que não falam, passando pelo modelo babá, chegando aos mais elaborados, pois criam naves espaciais, fazem contas complicadas, pensam, controlam outros robôs, enfim. O autor gosta muito de, em todos os contos, fazer uma relação entre o homem e a máquina. Mostrando que pode ser uma relação muito pacifica e construtiva.

Isaac resolveu abordar isso em seus livros porque estava cansado de sempre ver outros autores do gênero cair na síndrome de Frankenstein na qual a criação se volta contra o criador. Ele não conseguia acreditar que os robôs eram criaturas tão perigosas que sempre destruiria seus criadores.

"No entanto, mesmo quando eu era jovem, não conseguia acreditar que, se o conhecimento oferecesse perigo, a solução seria a ignorância. Sempre me pareceu que a solução tinha de ser a sabedoria. Não se deveria deixar de olhar para o perigo; ao contrário, deveria-se aprender a lidar cautelosamente com ele." (p. 307 e 308)



Em 10 de maio de 1939 ele começou a redigir uma história na qual um robô seria retratado afetuosamente. Assim nasceu Robbie, o primeiro conto do livro e um dos que mais gostei. A história fala de um robô babá que é amado pela garotinha de quem cuidava e temido pela mãe da criança.

Glória é uma garotinha de 8 anos de idade que mora com os pais em uma cidade interiorana e tem Robbie como babá e melhor amigo. Como ele é um robô muito inteligente e protetor, acaba encantando a garotinha muito rápido e deixando a mãe dela mais insegura com essa relação.

A família vive em uma cidade pequena, interiorana, dos Estados Unidos e os vizinhos começam a ficar receosos com a presença de Robbie na vizinhança. Isso faz a mãe de Glória implicar ainda mais com o robô e a entrar num dilema: ela deve ou não afastar o melhor amigo de sua filha?


A segunda história que ele escreveu e o terceiro conto do livro se chama "Razão". Eu não o tinha entendido, por isso não tinha gostado. No encontro que tive com minhas amigas para discutir sobre a leitura, acabei ouvindo o ponto de vista delas sobre esse conto e tirando algumas dúvidas que pra mim estavam vagas no livro. Resultado? Mais um conto da qual gostei!

Não vou falar muito sobre ele para não estragar as descobertas durante sua leitura e nem correr o risco de dar spoilers. A história gira em torno de uma nova criação. A empresa U.S. Robots resolveu criar um robô mais independente para que, sozinho, cuida-se de uma estação espacial deles.

Como os robôs recebem ordens de humanos, a U.S. Robots precisa de um que tenha a capacidade mental e física para comandar uma estação, dar as ordens sem a presença de humanos.

O problema é que a independência desse robô acaba indo longe demais. Ele se transforma em uma criatura altamente cética que não acredita na existência do planeta Terra e muito menos que foi criado por humanos, já que ele se considera uma raça muito superior a nossa. Adoro quando ele começa a fazer comparações entre a estrutura de um robô e de um humano para mostrar que nossa raça é inferior e, assim, incapaz de criar algo tão perfeito como os robôs.

"- Olhem para vocês - disse ele por fim. - Não digo isso com desdém, mas olhem para vocês! A matéria de que são feitos é macia e flácida, sem resistência nem força, e depende de uma oxidação ineficiente de matéria orgânica para obter energia..." (p. 85)

Esse conto é uma puta crítica ao fanatismo religioso. Em nenhum momento o autor critica a religião. Ele critica a alienação, o preconceito, a intolerância, o fanatismo que faz alguns fieis disseminarem a ideia de que somente sua religião e seu Deus são verdadeiros. Achei isso maravilhoso!

Isaac Asimov também é o responsável por criar as Três Leis da Robótica. Também o primeiro a usar a palavra "robótica". Elas (as Leis) são explicadas em sua quarta história chamada "Andando em Círculos" - o segundo conto do livro - onde o protagonista é um robô chamado Speedy que está em uma missão em Mercúrio e durante uma exploração ele começa a entrar em conflito com as três leis e, por isso,  seu cérebro positrônico não sabe o que fazer e acaba andando em círculos.

As Três Leis da Robótica
1. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido;
2. Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei;
3. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.

No livro você também vai ver o conto que provavelmente serviu de inspiração para o filme intitulado Eu, Robô e protagonizado pelo Will Smith. Não sei se o filme é baseado no conto, mas tem umas ideias parecidas, como a busca por um robô que teve a primeira Lei alterada e que agora é um perigo para os humanos. O conto se chama "Um robozinho sumido" e é o sexto conto do livro.

Enfim, no geral é um livro bom. Gostei de alguns contos e nem tanto de outros. Minha dificuldade, durante a leitura, em entender alguns termos ou conseguir ficar vidrada nas histórias foi pela falta de costume em ler esse gênero. É normal causar certa estranheza. 

Achei esse exemplar lançado pela Editora Aleph muito lindo. A capa e orelhas são em detalhes prateados com a imagem de um robô na frente, atrás e na segunda capa. O espaçamento das linhas no texto e a divisão dos contos são muito bons (cada conto inicia com uma folha toda preta e no centro desta tem a numeração do conto e seu nome). Só não gostei do tamanho da letra, achei pequena demais.


Se já leu, me conta ai nos comentários o que achou e se tiver alguma indicação de leitura, fique a vontade.


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Até a próxima,
Suh.

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